Enquanto uns querem cortar impostos, outros distribuem armas e comida. O governo manda estudar as contas. O eleitor manda estudar onde fica o botão “receber”.

A política brasileira descobriu uma fórmula revolucionária para conquistar votos:

dê alguma coisa ao cidadão e deixe a conta para depois.

Reduzir o imposto sobre o trabalho para 20% parece maravilhoso. Trabalhador pagando menos imposto é trabalhador mais feliz.

É uma ideia bonita.

Tão bonita que até o caixa do governo gostaria de saber de onde virá o dinheiro.

Do outro lado do balcão, surgiu uma proposta ainda mais generosa: kit semanal de armas e comida para todos, acompanhado de sorteio de itens no fim de semana.

Finalmente uma política pública capaz de unir todas as correntes ideológicas:

o cidadão pode não entender de economia, mas pelo menos sai armado e alimentado.

E como se não bastasse, apareceu também a brilhante ideia de uma aliança com o Peru para explorar seu território e seu ferro.

O Riso do Povo não questiona a viabilidade econômica da proposta.

Só gostaria de saber se a diplomacia brasileira já preparou o discurso:

“Peru, vamos fazer uma aliança para levar ferro.”

A quinta série agradece.

Enquanto isso, existe quem lembre que talvez seja prudente olhar as contas públicas antes de sair distribuindo benefícios.

E há quem prefira aguardar uma análise profunda e empírica das novas regras antes de transformar qualquer promessa em política de Estado.

Uma atitude sensata.

Embora exista um pequeno problema:

eleição sem promessa é praticamente uma reunião de condomínio.

No fundo, talvez todas essas propostas tenham algo em comum.

Menos imposto.

Mais comida.

Mais armas.

Mais território.

Mais alianças.

Tudo parece ótimo quando apresentado separadamente.

O problema começa quando alguém pergunta:

“E o que acontece com o Brasil depois que a promoção eleitoral termina?”

Porque governar um país não é um sorteio de fim de semana.

O Brasil precisa de produção, indústria, infraestrutura e planejamento.

Reduzir impostos pode ser ótimo.

Distribuir comida pode ser ótimo.

Distribuir armas pode ser... certamente memorável.

Conquistar território pode deixar o mapa muito bonito.

Mas nenhuma dessas coisas, sozinha, transforma um país em potência.

Talvez esteja na hora de fazer uma pergunta desagradável aos candidatos:

“O que você está oferecendo ao Brasil — e o que está oferecendo apenas ao eleitor?”

Porque promessa boa é aquela que beneficia o cidadão hoje.

Política boa é aquela que ainda funciona amanhã.

E se ninguém souber explicar quem paga a conta...

Bom, pelo menos alguém já garantiu a comida.

E a arma.