RESISTÊNCIA COMUNISTA

ELEIÇÕES 2026: NOSSA POSIÇÃO DIANTE DO SEGUNDO TURNO

Entre Lula e Flávio Bolsonaro, declaramos nosso apoio a Lula

As eleições de 2026 chegaram ao segundo turno.

Após a apuração do primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputarão a Presidência da República. Lula terminou o primeiro turno com 45,16% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 47,03%.

O Resistência Comunista declara publicamente sua posição:

APOIAMOS LULA NO SEGUNDO TURNO.

Essa decisão não significa que consideramos Lula um candidato comunista, nem que o PT represente o projeto revolucionário defendido por este jornal.

Nossa posição parte de uma análise concreta da conjuntura.

NÃO CONFUNDIMOS APOIO TÁTICO COM APOIO IDEOLÓGICO

Um jornal marxista precisa ser capaz de diferenciar duas coisas:

apoio político em uma conjuntura específica e identificação ideológica com determinado partido.

O PT não é um partido marxista-leninista.

O governo Lula continua funcionando dentro das instituições do Estado capitalista e de uma economia baseada na propriedade privada e no trabalho assalariado.

Portanto, não acreditamos que uma eventual vitória de Lula signifique a chegada do socialismo ao Brasil.

Nossa posição é outra.

Entre os dois projetos colocados diante do eleitorado neste segundo turno, consideramos que a candidatura Lula apresenta condições mais favoráveis para a defesa de determinadas políticas sociais e democráticas que consideramos importantes, enquanto vemos na candidatura de Flávio Bolsonaro um projeto político que consideramos incompatível com os objetivos do nosso jornal.

POR QUE NÃO FLÁVIO BOLSONARO?

Nossa oposição a Flávio Bolsonaro não se baseia simplesmente no sobrenome.

Ela está relacionada ao projeto político que sua candidatura representa.

Seu programa apresenta uma orientação econômica mais voltada à contenção de despesas, incluindo a proposta de cortes equivalentes a 1,5% do PIB e um novo teto de gastos. Também apresenta propostas de reforma do Estado e uma concepção de proteção social vinculada à passagem para trabalho, crédito e patrimônio.

Do ponto de vista do Resistência Comunista, precisamos questionar uma concepção segundo a qual a solução para problemas sociais passa prioritariamente pela redução do papel do Estado e pela disciplina fiscal.

Para nós, a questão fundamental é:

Quem deve pagar pela crise econômica?

Não aceitamos que trabalhadores e setores pobres sejam os primeiros a sofrer quando o Estado precisa equilibrar suas contas.

O PROBLEMA NÃO É APENAS ECONÔMICO

Nossa oposição também envolve a questão democrática.

O programa de Flávio Bolsonaro apresenta uma forte defesa da liberdade de expressão e promete combater estruturas estatais que considera formas de censura. Ao mesmo tempo, sua campanha entrou em disputas judiciais envolvendo conteúdos publicados por opositores e pedidos de remoção de publicações nas redes sociais.

Isso merece ser acompanhado criticamente.

Não defendemos censura.

Mas também não acreditamos que a liberdade de expressão deva ser analisada apenas através de slogans eleitorais.

Queremos liberdade política para trabalhadores, estudantes, sindicatos, movimentos sociais, jornalistas e organizações populares.

A democracia precisa ser avaliada também pela capacidade de diferentes setores da sociedade se organizarem e disputarem os rumos do país.

POR QUE LULA?

Nosso apoio a Lula parte principalmente de uma comparação.

O programa de Lula apresenta uma orientação mais voltada à manutenção e ampliação de políticas sociais, ao investimento público, à valorização do trabalho e à redução das desigualdades.

Isso não transforma essas propostas em socialismo.

Mas, dentro da conjuntura atual, consideramos essas prioridades mais próximas das necessidades imediatas da classe trabalhadora do que uma política centrada em austeridade e redução do Estado.

A diferença é importante.

Defender Lula neste segundo turno não significa abandonar nossas críticas ao capitalismo.

Significa reconhecer que as condições concretas de vida dos trabalhadores importam também nas disputas eleitorais.

NÃO ENTREGAMOS NOSSO PROGRAMA AO PT

Existe, entretanto, uma condição fundamental para nosso apoio:

não abrimos mão da independência política.

Se Lula for eleito, continuaremos criticando:

  • exploração do trabalho;

  • desigualdade econômica;

  • concentração de renda;

  • precarização;

  • juros elevados;

  • privilégios econômicos;

  • influência do grande capital sobre o Estado;

  • limites das políticas sociais;

  • conciliação entre interesses de classes.

Um governo não se torna automaticamente progressista porque recebe apoio da esquerda.

E um partido não se torna socialista porque possui políticas sociais.

O papel de uma organização comunista não é abandonar suas convicções para apoiar um governo. É analisar cada governo criticamente.

O SEGUNDO TURNO NÃO É A REVOLUÇÃO

Precisamos ser claros.

Nenhum dos dois candidatos representa o projeto revolucionário defendido pelo Resistência Comunista.

A transformação socialista da sociedade não será realizada simplesmente através da eleição de um presidente.

A emancipação dos trabalhadores depende de organização, consciência política, mobilização social e transformação das relações econômicas e políticas.

O voto é apenas uma parte da luta política.

Por isso, nosso apoio a Lula não significa dizer:

"Agora basta eleger Lula."

Significa dizer:

"Diante das alternativas concretas deste segundo turno, nossa análise nos leva a apoiar Lula, mantendo nossa independência e nossa perspectiva socialista."

NOSSA POSIÇÃO É CRÍTICA

Não queremos um governo que simplesmente administre a pobreza.

Queremos uma sociedade que elimine as condições que produzem a pobreza.

Não queremos apenas programas sociais.

Queremos transformação econômica.

Não queremos apenas direitos formais.

Queremos participação efetiva dos trabalhadores nas decisões que determinam suas vidas.

Não queremos apenas alternância de governos.

Queremos transformação social.

É por isso que nossa posição é simultaneamente a favor de Lula neste segundo turno e independente do lulismo.

UMA ESCOLHA CONCRETA

A política revolucionária não pode ignorar as circunstâncias concretas.

Em uma eleição com múltiplas candidaturas, podemos discutir diferentes projetos e defender aquele que consideramos mais próximo de nossas posições.

No segundo turno, porém, a disputa se reduz a duas alternativas.

É nesse contexto que o Resistência Comunista declara seu apoio:

LULA 13

Não como representante do socialismo.

Não como solução definitiva para os problemas brasileiros.

Não como substituto da organização dos trabalhadores.

Mas como a opção que consideramos menos distante das necessidades sociais e democráticas que defendemos diante da alternativa representada por Flávio Bolsonaro.

Depois das urnas, independentemente do resultado, nossa tarefa continuará sendo a mesma:

estudar, organizar e lutar pela emancipação da classe trabalhadora.

RESISTÊNCIA COMUNISTA

Apoio crítico.

Independência política.

Defesa dos trabalhadores.

Pelo socialismo.