O mundo de Eclesiar vai mudar.
A partir de 4 de setembro, guerra deixa de ser aquela brincadeira saudável em que um país invade o outro até desaparecer do mapa. Agora teremos objetivos, prazo, negociação, alianças com consequências e até uma história para registrar nossas decisões.
Finalmente.
Agora podemos fazer tudo errado, mas com documentação.
E enquanto o mundo se prepara para guerras mais inteligentes, o Brasil enfrenta uma questão muito mais complicada:
como ficar rico?
Porque conquistar território é ótimo. Dá prestígio, muda o mapa e deixa o general feliz.
Só tem um pequeno inconveniente:
território não produz sozinho.
O Brasil pode conquistar o Chile, pintar o mapa inteiro de verde e mandar fazer um discurso patriótico. Mas, se depois não houver indústria, produção e infraestrutura, teremos apenas um país enorme com uma conta enorme.
E aí surge a ideia mais perigosa já apresentada ao Congresso:
desenvolvimento econômico.
Sim, produção.
Fábricas.
Empresas.
Infraestrutura.
Coisas que não explodem e, por isso mesmo, costumam receber menos aplausos.
O curioso é que todo mundo já está pensando na corrida nuclear.
Queremos saber quem terá a bomba.
Quem terá mais bombas.
Quem conseguirá destruir quem.
Mas existe uma pergunta inconveniente:
quem vai fabricar tudo isso?
Porque talvez a verdadeira corrida nuclear brasileira não comece com um míssil.
Comece com uma fábrica.
O governo pode continuar discutindo quem é imperialista, socialista, centralista ou qualquer outra palavra que faça parecer que estamos fazendo política.
Mas, no final do dia, alguém precisa produzir.
Talvez o maior inimigo do Brasil não seja o país vizinho.
Talvez seja a velha mania de achar que potência se constrói apenas conquistando território.
O novo Eclesiar vai ensinar uma coisa interessante:
guerras têm prazo. Ocupações são provisórias. Alianças custam caro. E até bombas podem ser neutralizadas.
A economia, entretanto, continua cobrando aluguel.
Então talvez esteja na hora de o Brasil conquistar uma coisa realmente difícil:
riqueza.
Depois fazemos a bomba.
Ou não.
Depende de quanto custar a fábrica.
O bobo da república
